
No meu mundo, aquele que só eu conheço, que só eu tenho acesso, eu sou eu mesma em qualquer momento.
No meu mundo eu crio, eu destruo, eu grito, eu choro, eu danço, eu canto, eu faço, eu desfaço.
No meu mundo, as vozes alheias são apenas isso, vozes alheias, que ficam sussurrando ao fundo, mas nem por isso impedem-me de ouvir a melodia do meu mundo.
Aqui, quando eu choro não tentam me consolar, e eu posso me afogar nas lágrimas até que eu adormeça, e no outro dia, tudo começa novo, sem nenhum vestígio do que outrora tirava-me o sorriso do rosto.
No meu mundo eu posso sair por aí cantando e pulando sem que reprimam-me ou insinuem que me droguei. Posso ser feliz por motivo algum, ou por todos eles.

No meu mundo eu posso apenas ficar sentada, quieta, observando as paisagens e pensando em nada convincente sem que todos pensem que estou triste.
No meu mundo só há pessoas boas, e as más, são como lendas, que podem até nos perturbar, mas que jamais serão capazes de fazer mau algum.
No meu mundo eu sou a única com permissão para não estar feliz todo o tempo.
No meu mundo, o Sol não queima, o frio não nos tira as noites de sono, e a fome não mata.
No meu mundo, eu conheço a todos e todos me conhecem. Eu ando pelas ruas nas manhãs distribuindo bons dias e sorrisos.
No meu mundo não há corrupção, hipocrisia, falsidade ou mesmo rancor.
No meu mundo as doenças não existem e as maldades são apenas brincadeiras que não machucam nem magoam.
No meu mundo as noites não são perigosas e insanidade não é defeito.
Meu mundo, meu cantinho feliz, meu refúgio, meu lar, meu eu.
Meu mundo está longe de ser um conto de fadas, pois já me conformei que os verdadeiros príncipes nem sempre são ricos e galãs.
Meu mundo é apenas minha forma de expressar, minha forma de ver o mundo e o lado bom de todas as coisas.
Meu mundo não é nada mais que um cantinho aconchegante onde liberto-me, e nada menos nada mais que o mais lindo e puro sentimento.

por: Amanda Martinatti
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