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sábado, 28 de julho de 2012

Carta para além do muro - Caio Fernando Abreu



Olha, estou escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir.
Eu não achei que ia conseguir dizer, quero dizer, dizer tudo aquilo que escondo desde a primeira vez que vi você, não me lembro quando, não me lembro onde. Hoje havia calma, entende? Eu acho que as coisas que ficam fora da gente, essas coisas como o tempo e o lugar, essas coisas influem muito no que a gente vai dizer, entende? Pois por fora, hoje, havia chuva e um pouco de frio: essa chuva e esse frio parecem que empurram a gente mais pra dentro da gente mesmo, então as pessoas ficam mais lentas, mais verdadeiras, mais bonitas. Hoje eu estava assim: mais lento, mais verdadeiro, mais bonito até. Hoje eu diria qualquer coisa se você telefonasse.
 Por dentro também eu estava preparado para dizer, um pouco porque eu não agüento mais ficar esperando toda hora você telefonar ou aparecer, e quando você telefona ou aparece com aquelas maçãs eu preciso me cuidar para não assustar você e quando você me pergunta como estou, mordo devagar uma das maçãs que você me traz e cuido meus olhos para não me traírem e não te assustarem e não ficarem querendo entrar demais no de dentro dos teus olhos, então eu cuido devagar tudo o que digo e todo movimento, porque eu quero que você venha outras vezes e eles dizem que se eu mostrar como realmente sou você vai ficar apavorado e nunca mais vai aparecer nem telefonar – eu não agüento mais não me mostrar como sou. Hoje de manhã eu acordei bem cedo, e depois de conversar com eles consegui permissão para caminhar sozinho no jardim, eu disfarcei muito conversando com eles porque queria muito caminhar sozinho no jardim. Àquela hora ainda não estava chovendo, ou estava, não me lembro, ou havia chovido ontem à noite, não, acho que não estava chovendo não, porque eu lembro que as folhas estavam limpas e molhadas e a aterra tinha um cheiro de terra molhada: comecei a lembrar, lembrar, lembrar e o meu pensamento parecia um parafuso sem fim, afundando na memória, eu não suportava mais lembrar de tudo o que se perdeu, tudo o que perdi, não fui e não fiz, mas não conseguia parar.
Então comecei a gritar no meio do jardim molhado com as duas mãos segurando a minha cabeça para que não estourasse. Aí eles vieram e disseram que não tinha jeito e que estavam arrependidos por terem me deixado sair sozinho e que aquela era a última vez e que eu disfarçava muito bem mas não conseguiria mais enganá-los. Eu disse que não tinha culpa do meu pensamento disparar daquele jeito, mas acho que eles não acreditaram, eles não acreditaram que eu não consigo controlar pensamento. Então me deram uma daquelas injeções e eu afundei num sono pesado e sem saída como este espaço dentro desses quatro muros brancos. Foi depois que acordei, não sei se hoje ou amanhã ou ontem, eu te escrevo dizendo hoje só para tornar as coisas mais fáceis, foi depois de acordar que perguntei se você não tinha vindo nem telefonado, e eles disseram que você não viera nem telefonara. É provável que estivessem mentindo, eles dizem que eu preciso aceitar mais a realidade das coisas, a dureza das coisas, e às vezes penso que tornam de propósito as coisas mais duras do que realmente são, só pra ver se eu reajo, se eu enfrento.
Mas não reajo nem enfrento.
A cada dia viver me esmaga com mais força. Não sei se eles escondem de mim a sua visita, se não me chamam quando você telefona, se dizem que já fui embora, que já estou curado, não sei se você não vem mesmo e não telefona mais, não sei nada de ninguém que viva atrás daqueles muros brancos, você era a única pessoa lá de fora que entrava aqui de vez em quando. É verdade que eles todos moram lá fora, mas é diferente, eles vivem tanto aqui dentro que não consigo acreditar que sejam iguais os lá de fora, como você. Você, sim, era completamente lá de fora. Digo era porque faz muito tempo que você não vem porque guardei no meio das minhas roupas um pedaço daquela maçã que você trouxe da última vez, e aquele pedaço escureceu, ficou com cheiro ruim, encheu de bichos, até que eles me obrigaram a jogar fora. Acho que os pedaços de maçã só se enchem de bichos depois de muito tempo, não sei.
Parei um pouco de escrever, roí as unhas, preciso roer as unhas porque eles não me deixam fumar, reli o começo da carta, mas não consegui entender direito o que eu pretendia dizer, sei que pretendia dizer uma coisa muito especial a você, alguma coisa que faria você largar tudo e vir correndo me ver ou telefonar e, se fosse preciso, trazer a polícia aqui para obrigá-los a deixarem você me ver. Eu sei que você quer me ver. Eu sei que você fica os dias inteiros caminhando atrás daqueles muros brancos esperando eu aparecer. Eles não deixam, acho que você sabe que eles não deixam. Não vão deixar nem esta carta chegar às suas mãos, ou vão escrever outra dizendo que eu não gosto de você, que eu não preciso de você. Mas é mentira, você tem que saber que é mentira, acho que era isso que eu queria dizer preciso escrever depressa antes que eu me esqueça do que eu queria dizer era isso eu preciso muito muito de você eu quero muito muito você aqui de vez em quando nem que seja muito de vez em quando você nem precisa trazer maçãs nem perguntar se estou melhor você não precisa trazer nada só você mesmo você nem precisa dizer alguma coisa no telefone basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro ou do outro lado

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Parei um pouco de escrever para olhar pela janela e principalmente para ver se eu conseguia deter o parafuso entrando no pensamento. Acho que consegui. Porque quando começo assim não consigo mais parar, e não quero que eles me dêem aquela injeção, não quero ouvir eles dizendo que não tem remédio, que eu não tenho cura, que você não existe. Eu acho graça e penso em como você também acharia graça se soubesse como eles repetem que você não existe. Depois eu paro de achar graça e fico olhando a porta por onde não entra o telefone por onde você não fala e me lembro do pedaço apodrecido daquela maçã e então penso que talvez eles tenham razão, que talvez você não exista mesmo. Mas não é possível, eu sei que não é possível: se estou escrevendo para você é porque você existe. Tenho certeza que você existe porque escrevo para você, mesmo que o telefone não toque nunca mais, mesmo que a porta não abra, mesmo que nunca mais você me traga maçãs e sem as suas maçãs eu me perca no tempo, mesmo que eu me perca.
Vou terminar por aqui, só queria pedir uma coisa, acho que não é difícil, é só isso, uma coisa bem simples: quando você voltar outra vez veja se você me traz uma maçã bem verde, a mais verde que você encontrar, uma maçã que leve tanto tempo para apodrecer que quando você voltar outra vez ela ainda nem tenha amadurecido direito.


terça-feira, 19 de junho de 2012

Utopia

(ouça a musica enquanto lê)
Utopia by Within Temptation on Grooveshark
  Enquanto ando pelas ruas da minha linda cidade percebo como a vida é bela. 
  As pessoas cumprimentam-se com sorrisos e palavras doces e as crianças brincam nas ruas sem perigo.
  Não existe maldade em minha cidade, não existe o errado. É tudo tão certo que às vezes me pergunto se é real. O sol não queima minha pele nem faz arder meus olhos. Todos estão com suas respectivas almas gêmeas. Não existe governo, não existem regras. Nada de errado acontece aqui.
  Eu ando livremente pelas ruas vazias, onde cada construção conta um pouco na minha história. A madrugada é fresca, silenciosa e aconchegante. Ando pelos bosques cantando minha ideia de mundo perfeito, e eis que nele vivo. 
  Sinto o espaço segurando minhas mãos. Sei que nesse mundo estou segura, que nada de ruim pode me ocorrer, pois nada de ruim acontece aqui.
  "Seria perfeito se essa cidade não fosse um mundo imaginário idealizado por um louco". É o ouço as pessoas dizerem, mas eu acredito nesse lugar. Eu vou pra lá cada vez que fecho meus olhos, a cada piscar é lá que estou, presa no meu próprio mundo, na minha própria mente. 
  Não sei o que acontece nesse mundo em que vocês acreditam, só sei que no meu mundo chove todo fim de tarde. Um homem vestido de branco com um bloco de anotações diz que essa chuva é meu choro no fim de cada dia. Eu poderia explicar porque choro todos os dias, mas não acredito que isso aconteça, não acredito que esse homem exista, acredito que ele é fruto da minha imaginação. Talvez eu esteja ficando louca. Mas essa tarde ele me pareceu mais real, quando pareceu que ele estava começando a acreditar no meu mundo. Que engraçado, minha imaginação acreditando no mundo real. De qualquer forma, não foi isso que mais me chamou a atenção, o que eu achei mais interessante foi o fato de ele achar que eu sei o motivo da chuva de fim de tarde. Bom, talvez eu saiba, mas gosto de pensar na pergunta que ele fez e em como ele chamou minha cidade amada. Ele me perguntou “Por que chove em Utopia?”.
  Gostei do nome. Não sei como ele chegou a isso, mas soa-me positivo. De hoje em diante quando me perguntarem onde eu moro direi “em utopia”.
"Why does it rain, rain, rain down on utopia?
Why does it have to kill the ideal of who we are?"

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Mean Woman Blues

(ouça a música enquanto lê)
Mean Woman Blues by Elvis Presley on Grooveshark
Sua primeira noitada, seu primeiro drink.
Nunca tinha entrado em um bar, mas queria ser um garoto rebelde, então chegou no bar e pediu o mesmo do cara do lado.
Ele tem 16 e nunca beijou uma garota.
Tocava Élvis e todos dançavam cada um com seu par, mas havia uma garota com olhar de cadeia.
Ela tinha tatuagem no braço e usava batom vermelho. Seu cabelo estava solto e ela dançava sozinha. Deus, como ela era linda.
Ele queria falar com ela, mas ele não sabia como.
Ele tem 16 e nunca beijou uma garota, quem dirá uma garota malvada.
Ela usava uma jaqueta vermelha de couro, seu cabelo era pintado de loiro, cheirava a cigarro e cerveja. O tipo de garota que seus pais odiariam.
Ela o chamou para dançar. Ela tinha 19 e com certeza já tinha beijado um garoto.
Ela tinha uma moto, ela era tão selvagem.
Ele a queria, oh sim, ele a queria.
Ela perguntou “você já beijou uma garota?” e deu seu sorriso mais malvado.
Ele sorriu e negou com a cabeça.
Ela o beijou e foi embora.
Ele comprou uma moto e uma jaqueta de couro.
Ele é um garoto quase tão malvado quanto ela. Agora são outros garotos que pedem o mesmo que ele na mesa do bar.
Ele tem topete e costeletas e dança ao som de Élvis.
Ele só tem 16 e já beijou uma garota malvada.
"I got a woman,
Mean as she can be
I got a woman,
Mean as she can be
Sometimes I think
She's almost mean as me"

sexta-feira, 23 de março de 2012

Safe and Sound

(ouça a musica enquanto lê)
Safe and Sound by Taylor Swift ft. The Civil War on Grooveshark
Manhã iluminada. As gotas de orvalho brilhavam como se fossem pequenos cristais nascidos das folhas das árvores. O cheiro de chuva da madrugada ainda dançava pelo jardim, enquanto você brincava com meu cabelo como adorava fazer.
Estrada percorrida dia após dia, testemunha de nossa história, onde ouvimos nossa musica pela primeira vez, que dizia para fechar os olhos que tudo ficaria bem.
Nessa manhã, gélida e encantadora, o carro deslizava na estrada como se nem ao menos tocasse o chão. Uma pena todo aquele gelo. Teria sido uma sensação maravilhosa se...
Eu te abracei forte, você sorriu para mim. Seu rosto era pura ternura. O seu sorriso era vago, era... eterno.
Eu quis pedir ajuda, mas você me disse para não te deixar sozinho, e me cobrou a promessa de "para sempre". Eu disse que nunca te abandonaria e que não deixaria nada te machucar. Realmente, nada mais podia te ferir.
Você começou a cantar nossa musica, que dizia para não olhar em volta, pois tudo estava pegando fogo. Acho que entendi porque essa sempre foi nossa musica. No fundo sabíamos que era nossa trilha sonora perfeita.
"Apenas feche seus olhos" você cantou, e esperou que eu continuasse. Eu lembro das lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
Então fechei meus olhos, expulsando as minhas lágrimas, e cantei "O sol está se pondo, você vai ficar bem". Você riu com um suspiro, quase como alívio por ter ouvido essa frase. Olhei para você, queria seus olhos escuros e brincalhões me certificando de que eu estava certa, que você ficaria bem. Mas a única coisa que encontrei foi seu sorriso. "Ninguém pode feri-lo agora" cantei entre soluços para o vazio enquanto te abraçava mais e mais forte. Eu estava sozinha com o que sobrou de você em meus braços, e o seu sorriso. E eu soube que ficaríamos bem.
Agora estou aqui, no mesmo jardim frio e cristalino daquela manhã, ainda está escuro, não consegui dormir pensando no que falaria para você essa manhã, como fazia dia após dia. Então eu sabia o que eu precisava fazer. Precisava terminar o refrão.
"Venha luz da manhã, você e eu estaremos são e salvos."
Um vento frio e intenso passou por mim e me envolveu, acompanhado dos primeiros raios de sol que escapavam pelas montanhas a minha frente.
Eu sabia que você estava comigo. Era você brincando com o meu cabelo, com a mesma graça de antes. E por alguns instantes eu te vi ali, olhando para mim, me entorpecendo com aqueles olhos, e aquele sorriso.
Era a manhã daquele outro dia, mas desta vez, "ninguém podia feri-lo".

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Raise your glass

Raise Your Glass by Pink on Grooveshark
"Levantem seus copos para o brinde.
Por algum motivo que eu desconheço, fui designada para fazer o brinde e agradecer esse ano maravilhoso que passou. Então, um brinde a esse ano em que aconteceram tantas coisas boas para essa família, como o noivado e casamento da minha irmã.
Um brinde ao seu marido que adora me jogar na parede do corredor e dizer coisas obscenas no meu ouvido quando ninguém esta vendo.
Um brinde a minha irmã, que só se casou com ele porque não lembrou o nome nem o telefone do cara que a engravidou.
Um brinde as prostitutas que o tio Carlos leva toda noite pra casa e um brinde a tia Marina que não vê porque está a noite toda “trabalhando” na casa da amiga dela, aquela policial lá.
Um brinde ao meu irmãozinho querido, que passa as noites inteiras assistindo pornô gay e imaginando quando vai ter coragem de se assumir.
Um brinde aos meus pais, que me internaram em uma clinica de recuperação depois que meu pai teve a brilhante ideia de esconder sua heroína no meu quarto, um brinde ao seu caráter. E um brinde especial para minha mãe que escreve em suas redes sociais que bebe socialmente e quando são cinco horas da manhã, ela corre nos lixeiros dos vizinhos para desovar a garrafa da noite anterior para que meu pai não veja. Mamãe, que falta de educação, espere eu terminar o discurso para beber, você não consegue se controlar nem em publico?
Por fim, um brinde a vida, essa grande porcaria em que todos são hipócritas e patéticos.
Um brinde a todas as mentiras e interesses que mantem essa família unida. E ao ultimo cigarro que fumei, e a ultima cerveja que bebi antes de ir para aquele "manicômio".
Mãe, pode beber minha parte, estou na reabilitação como você sabe, quatro meses limpa. Sei que não vai se importar.
Então, a nós.
Tim-tim."
Party Crasher,
Penny Snatcher,
Call me up if you a gangsta
Don't be fancy, just get dancy
Why so serious?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Fear of the dark

(ouça a musica enquanto lê)
Fear Of The Dark by Iron Maiden on Grooveshark
Quando fica escuro, eu corro pra luz, fugindo do que eu não posso ver.
Com medo de que tenha algo lá, com certeza de ter algo lá.
Com medo de ouvir passos e uma respiração ofegante.
De perguntar quem está ai e não ouvir resposta.
Com medo de sentir algo que não vejo.
Quando fica escuro, eu corro pra você, onde me sinto segura.
Você não tem medo do escuro.
Você se tornou minha luz na noite em que o tempo parou para nós.
Na noite em que você acabou com meu medo do escuro.
Quando eu soube que a unica coisa que tinha no escuro era você e eu.
E enquanto seu corpo pálido iluminava o lugar e o escuro já não era tão opaco,
então eu não tive medo do escuro, porque eu estava com você.
Mas senti algo, e soube que não estávamos mais sozinhos no escuro.
E aquilo te tirou de mim, e a unica coisa que me sobrou foi o que antes me dava medo.
Eu não via nada, só ouvia seus suspiros.
Fechei os olhos pra não ver nada. Eu não queria enxergar, eu não queria ouvir.
Eu estava com medo, não de você, mas da sua presença vaga atormentando a noite, que havia sido nossa.
Então corri para o mais silencioso escuro. E ele me abraçou, como você havia feito outra noite.
Com medo do escuro, corri para você. Com medo de você, corri para o escuro.
Você acabou com meu medo do escuro.
Você não é mais o mesmo. Você não ilumina mais o quarto.
Você não está mais no escuro.
Eu não te sinto mais. Eu não sinto mais nada.
Agora, a unica coisa que me restou foi o escuro.
Escuro, vazio, e sem você.
Minhas noites se resumem em encarar o vazio e esperar que tenha algo que não posso ver.
Esperar sentir algo que não vejo.
Esperar ouvir passos e uma respiração ofegante.
Perguntar quem está ai e não ouvir resposta.
Esperar que tenha algo.
Esperar que tenha você.
"When the light begins to change
I sometimes feel a little strange
A little anxious when it's dark"

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

My body

My Body by Young the Giant on Grooveshark
Eu vejo e ouço tudo, mas não sei o que estou fazendo.
Perdi o controle a muito tempo. Esse cheiro me entorpece.
Eu vejo tudo, vários ângulos ao mesmo tempo. A fumaça atrapalha um pouco.
Eu estava com problemas não estava?
Bom, que se dane, me sinto tão feliz nesse momento.
Hey, o que está fazendo? Devolva meu copo.
Eu ouço as vozes, o que eles estão falando?
Eu conheço essa voz.
Espere, essa voz é minha! Por que eu disse aquilo?
Essa musica, essas luzes, esse cheiro, acho que estou ficando tonto.
Eu acabo de lembrar porque comecei a beber.
Droga, acho que tenho que beber mais um pouco pra esquecer de novo.
Garçom, me dê outro copo.
Ei garota, eu gosto dessa musica, dance comigo.
Eu não sei o que estou fazendo.
Meu corpo diz não, mas eu não ligo. Eu quero mais dessa alegria engarrafada.
Eu penso direita e vou esquerda, penso reto vou torto, ops, cuidado o pé.
Tudo é tão engraçado. Aquilo é um pijama? hahaha
Minha garganta arde a cada gole. Acho que meu corpo não quer mais, mas quem liga?
Onde estão os carros dessa cidade?
Um taxi por favor. Acho que vou deitar nesse banco enquanto meu motorista não chega.
My body tells me no!
But I won't quit,
Cause I want more, cause I want more.
My body tells me no!
But I won't quit,
Cause I want more, cause I want more.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Brave New World

(ouça a musica enquanto lê)
Brave New World by Iron Maiden on Grooveshark
Não sei dizer se é dia ou noite, sei apenas que o tempo não está bonito.
Céu claro, ruas escuras, como antes de uma grande tempestade. Não há sol nem estrelas, apenas nuvens.
As casas são feias, não há pintura, não há jardins, apenas uma moradia.
As pessoas não se arrumam, não são belas. Elas não precisam disso por aqui.
Não se faz banquete com talheres de prata e taças de cristal.
Não há vitrines exibindo o bonito da loja.
Não há beleza aqui.
Os cemitérios, ah sim, os cemitérios..
Não há coroas de flores e lápides de mármore, há o suficiente para ser saudável, higiênico e memorável.
Sim, são muito higiênicos, mas não belos.
Não há beleza aqui.
E esse tempo louco, não posso descrever as calçadas, as brumas não me deixam ver.
Sim, as brumas, ah sim, as brumas...
Densas como algodão doce.
Acho que as brumas são a unica beleza daqui.
Não, os sorrisos, esses são belos.
Os mais belos que já vi.
Sorrisos sinceros cheio de alegria e companheirismo.
E as cores, ah as cores...
Não reconheço nenhuma delas, nem se misturar as que conheço
Não sei se esse mundo novo me fez daltônico, mas não sei que cor é essa.
Não, as cores não são bonitas.
Não, não é marrom.
Os animais, é um pecado dizer que os animais não são belos, mas
não há beleza aqui, então, deixemos os animais de lado.
Aqui, onde quase nada é belo...
Os sorrisos são sinceros, são doces.
Doces como algodão doce, que é denso como as brumas que não me deixam ver as calçadas, que provavelmente são de cores que não conheço.
Aqui, aqui me sinto em casa, não porque nada é belo.
Gosto disso.
Gosto de como não há beleza aqui, e como é tudo lindo por isso.
Aqui, nesse mundo novo que caí por acaso.
Não há beleza aqui.
Nesse mundo novo,
onde os sorrisos são tão sinceros.
E onde nada é belo.
Já falei do frio?
Ah sim, é frio, mas não aquele frio congelante. É um frio que não conheço.
Acho que está chovendo.
Isso eu conheço, a chuva, a água, o cheiro...
não, não conheço o cheiro, mas gosto dele. Gosto da sensação de molhado no meu corpo.
Me sinto em casa.
Aqui, onde é frio e onde não precisa-se da beleza.
Sabe, não há beleza aqui.
"Dying Swans twisted wings
Beauty not needed here
Lost my love, lost my life
In this garden of fear
I have seen many things"

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Welcome To The Jungle

Welcome to the Jungle by Guns N' Roses on Grooveshark
Boas vindas da anfitriã do blog ao novo escritor Lucas Bueno, aquele que me esculachou na postagem anterior. Então, não fomos nós que revitalizamos o blog, fui eu, ele só me criticou, mas vou deixar passar porque eu sou legal (e modesta). hahaha
Então seja bem vindo Lucas (é muito estranho te chamar assim, mas enfim) e sinta-se a vontade pra me humilhar de novo. E não, você não me vencerá no final.
E quem quer que esteja lendo, tenha medo do que ele vai escrever “livremente” , eu tenho! Hahaha
;D

"Welcome to the Jungle
Watch it bring it to your
knees, knees
I wanna watch you bleed"