(ouça a musica enquanto lê)
Enquanto ando pelas ruas da minha linda cidade percebo como a vida é bela.
As pessoas cumprimentam-se com sorrisos e palavras doces e as crianças brincam nas ruas sem perigo.
Não existe maldade em minha cidade, não existe o errado. É tudo tão certo que às vezes me pergunto se é real. O sol não queima minha pele nem faz arder meus olhos. Todos estão com suas respectivas almas gêmeas. Não existe governo, não existem regras. Nada de errado acontece aqui.
Eu ando livremente pelas ruas vazias, onde cada construção conta um pouco na minha história. A madrugada é fresca, silenciosa e aconchegante. Ando pelos bosques cantando minha ideia de mundo perfeito, e eis que nele vivo.
Sinto o espaço segurando minhas mãos. Sei que nesse mundo estou segura, que nada de ruim pode me ocorrer, pois nada de ruim acontece aqui.
"Seria perfeito se essa cidade não fosse um mundo imaginário idealizado por um louco". É o ouço as pessoas dizerem, mas eu acredito nesse lugar. Eu vou pra lá cada vez que fecho meus olhos, a cada piscar é lá que estou, presa no meu próprio mundo, na minha própria mente.
Não sei o que acontece nesse mundo em que vocês acreditam, só sei que no meu mundo chove todo fim de tarde. Um homem vestido de branco com um bloco de anotações diz que essa chuva é meu choro no fim de cada dia. Eu poderia explicar porque choro todos os dias, mas não acredito que isso aconteça, não acredito que esse homem exista, acredito que ele é fruto da minha imaginação. Talvez eu esteja ficando louca. Mas essa tarde ele me pareceu mais real, quando pareceu que ele estava começando a acreditar no meu mundo. Que engraçado, minha imaginação acreditando no mundo real. De qualquer forma, não foi isso que mais me chamou a atenção, o que eu achei mais interessante foi o fato de ele achar que eu sei o motivo da chuva de fim de tarde. Bom, talvez eu saiba, mas gosto de pensar na pergunta que ele fez e em como ele chamou minha cidade amada. Ele me perguntou “Por que chove em Utopia?”.
Gostei do nome. Não sei como ele chegou a isso, mas soa-me positivo. De hoje em diante quando me perguntarem onde eu moro direi “em utopia”.
"Why does it rain, rain, rain down on utopia?
Why does it have to kill the ideal of who we are?"