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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Maybe



Do outro lado da praça tem uma garotinha brincando no parque, ela acabou de sair da escola, está com sua mochila rosa nas costas, de vestidinho vermelho, sua mãe está sentada no banco lendo um livro, fugindo de sua própria realidade, do fardo de ter se tornado mãe antes dos vinte, enquanto sua linda criança suja as meias de areia.
Essa garotinha provavelmente diz que vai ser veterinária quando crescer, todas dizem.
Ela sonha em encontrar um amor pra vida toda, em casar, ter filhos, ser feliz, viajar pelo mundo, ter uma casa com um grande jardim onde ela possa cuidar de suas flores e brigar com o cachorro porque ele está pisando em suas camélias.
Se ela soubesse o que a espera...
Se ela soubesse o que a espera ela não estaria se divertindo enquanto gira o balanço, ela estaria preocupada, deprimida. Mas mesmo se alguém fosse lá e falasse: “o que você está fazendo? Por que está sorrindo? Sabe o que vai acontecer com você? Você vai se decepcionar. Você não vai ser veterinária, você será uma garota carente que se apaixonará pelo primeiro trouxa que te sorrir. E ele vai te despedaçar. Você não vai passar no vestibular porque passou mais tempo atrás dele do que estudando. Você não vai ter uma casa com quintal grande e flores. Desista! Você não pode com a vida”. Sabe o que ela faria? Mostraria a língua e correria para mãe dela. E esta diria que é tudo mentira, e sentiria uma facada na alma, pois foi exatamente o que aconteceu com ela.
Talvez eu seja uma tola, mas talvez essa garota não siga os passos da mãe. Talvez ela realmente se torne uma veterinária, se case com alguém legal, quem sabe ela até tenha um jardim grande!
Talvez ela realmente se torne a mulher que ela imagina que ela será. Talvez, se ela olhar pra traz e der de cara com ela mesma do outro lado do jardim, e tenha um estranho falando que ela não vai conseguir ser alguém na vida, ela chegue nesse alguém e fale “toma essa seu babaca, eu me tornei tudo que eu queria! Você está totalmente errado! Não é porque você não conseguiu que eu não conseguiria também! ”
Talvez ela não tenha vergonha de se apresentar a ela mesma. Talvez ela diga para ela mesma “Eu nunca desisti dos nossos sonhos, você está orgulhosa de mim?” sabendo que a resposta seria um abraço e uma risada boba.
Ou talvez, em um fim de tarde, ela sente do outro lado da praça vendo aquele dia passar de novo e de novo em sua frente, até que a mãezinha chame a criança pra ir embora porque está começando a chover. Então, talvez, só talvez, ela vá, sob a chuva, sente no balanço e gire, só para se lembrar de como era sonhar e acreditar que a vida era bela.
Mas só talvez.





"Maybe in the future, you're gonna come back,
You're gonna come back around."



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